Um dia vou-me embora, não pra Pasárgada, nem pra Paris. É pra terceira margem
do rio que corre de traz de minha aldeia, que vou.
Eu choro vendo que quer partir, mas qual seja a vereda, qual quer ser tão que não te veja. Cê vá, ocê fique, você nunca mais volte.
Lá se foi velha jangada com o primeiro, bandeando curveando o mais intransponível do velho Chico.
Adeus, eu me vou.
Se vá, meu amor. E não se esqueça depressa de mim.
Foi assim que acabou a tinta da caneta.
sábado, 15 de junho de 2013
metafísica
Havia uma caixa de fósforo
dentro uma nave espacial dourada
cheia de foliões infelizes bebendo vodka
em falsas-fantasias
homéricas-e-quiméricas
cada um deles uma história
que se esparramava por mais
de mil léguas submarinas
Tsic!
fumaça densa subida subitamente num suspiro aliviado
era tudo que cabia na cabeça queimada daquele fósforo
dentro uma nave espacial dourada
cheia de foliões infelizes bebendo vodka
em falsas-fantasias
homéricas-e-quiméricas
cada um deles uma história
que se esparramava por mais
de mil léguas submarinas
Tsic!
fumaça densa subida subitamente num suspiro aliviado
era tudo que cabia na cabeça queimada daquele fósforo
Microrromance pós-moderno
Era uma vez Maria
casada com Pedro
que fugiu com Claudia
num transatlântico
pelo pacífico...
Maria ficou louca
de tanto diazepan
Pedro tomou
uma par de galhas
do Manso da repartição
E o domingo amanhecia
com cheiro de maçã fria
nos falidos corações.
Plágio de Bandeira
Homem morador do morro do Adeus
sobe no boteco da Dona Redenção
Dança
Canta
Bebe
e
se joga
sem direção
da ponte
da Água Espraiada.
sobe no boteco da Dona Redenção
Dança
Canta
Bebe
e
se joga
sem direção
da ponte
da Água Espraiada.
Quase Soneto
Penso
Sinto
Digo
ainda duvido que estou vivo
logo exito
Ouço
Canto
Crio
poemas e verdades que não creio
sem receio
Amo e desamo
desdenho
tudo que sou que no outro vejo
Cresço
envelheço
Amadureço
A duras penas, duros prantos
Mas morro. Nasço. Renasço
A cada pausa nos versos desse quase soneto
Sinto
Digo
ainda duvido que estou vivo
logo exito
Ouço
Canto
Crio
poemas e verdades que não creio
sem receio
Amo e desamo
desdenho
tudo que sou que no outro vejo
Cresço
envelheço
Amadureço
A duras penas, duros prantos
Mas morro. Nasço. Renasço
A cada pausa nos versos desse quase soneto
domingo, 25 de novembro de 2012
Vi só
Na sala de estares, cores insolúveis,
murchas desbotadas. Nas ondas da TV a cabo, Bonita e suas notas. Ela aparece de contra tempo e me pede: amor, aumente o volume e vamos dançar... A eternidade das flores de artifício ...
Peônias, liláceos, orquídeas roxas, botões rosas
em jarros rubros de cólera,
penduradas em paredes soltas
perdidas e insólitas.
Exito, não sei dançar. O cansaço e a fadiga
impedem corações raros de movimentos bruscos
É preciso um bocado de ciência
dois dobrados e meio de paciência
boa dose de esquizofrenia e demência
para viver um grande Amor
A morada do Amor é lugar qualquer
que tenha um canto, um conto, um poema
uma caixa e meia de cerveja e uma porção de solidão em petiscos.
Os pendurados retratos anêmicos são eles felizes de fato
cujo momento petrificado não permite leitura adversa
no verso são eles felizes e pronto!
sorrisos eternos, abraços infindos
Sagrei-me de vera cavalheiro
sou só de minha amada por inteiro
como aconselhou Toquinho e Vininha poeteiro
em forma de samba canção, movimentos dissonantes
caminhos errantes e de redenção
Meu chara bem que tinha razão
é preciso peito de remador,
pra suportar toda a dor
de nós dois em quartos sós,
comemorar bodas todas, de papel
papelão, plástico e recicláveis
Vou ter cuidado permanente
para que minha amada
tenha em mente
que o porto inseguro
de outrora
não flutua à deriva
nestas linhas.
murchas desbotadas. Nas ondas da TV a cabo, Bonita e suas notas. Ela aparece de contra tempo e me pede: amor, aumente o volume e vamos dançar... A eternidade das flores de artifício ...
Peônias, liláceos, orquídeas roxas, botões rosas
em jarros rubros de cólera,
penduradas em paredes soltas
perdidas e insólitas.
Exito, não sei dançar. O cansaço e a fadiga
impedem corações raros de movimentos bruscos
É preciso um bocado de ciência
dois dobrados e meio de paciência
boa dose de esquizofrenia e demência
para viver um grande Amor
A morada do Amor é lugar qualquer
que tenha um canto, um conto, um poema
uma caixa e meia de cerveja e uma porção de solidão em petiscos.
Os pendurados retratos anêmicos são eles felizes de fato
cujo momento petrificado não permite leitura adversa
no verso são eles felizes e pronto!
sorrisos eternos, abraços infindos
Sagrei-me de vera cavalheiro
sou só de minha amada por inteiro
como aconselhou Toquinho e Vininha poeteiro
em forma de samba canção, movimentos dissonantes
caminhos errantes e de redenção
Meu chara bem que tinha razão
é preciso peito de remador,
pra suportar toda a dor
de nós dois em quartos sós,
comemorar bodas todas, de papel
papelão, plástico e recicláveis
Vou ter cuidado permanente
para que minha amada
tenha em mente
que o porto inseguro
de outrora
não flutua à deriva
nestas linhas.
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