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domingo, 10 de junho de 2012

À primeira vista

Esta é uma história destas de verdade, alegre e triste,
de um menino chamado Rubião
um menino cheio de chiste
alegre por fora e por dentro não
Rubião via o mundo de outra maneira
todo escuro pintado à caneta
todo som que escutava era uma pista
todo cheiro era tão bom
... Rubião era um menino normal
nunca deixou de brincar, sorrir e cantar

Até o dia em que na escola uma professora dissera
que ele era deficiente por não poder enxergar
desde este dia é que Rubião não sorria
nem brincar mais ele queria
ele só pensava
que tudo ele podia antes daquele dia
até voar ele podia
e nem precisava os olhos fechar
bastava imaginar
os olhos de Rubião estavam sempre abertos para o mundo

Ele deixou de estudar,
nem brincar de cobra-cega, não mais ele queria
Certa manhã, ficou encafufado
de ficar em casa bolando-bolado
Foi então pegar o sol nascer,
mas logo pensou:
- Oras bolas, eu não consigo ver!!?

Entretanto, na medida em que Rubião
saia do meio da sombra
e entrava pra dentro da luz
no quintal de sua casa,
sentia que os raios do matutino-sol o aqueciam
Foi aí, então, que ele percebeu
que o mundo que todos vêm pelos olhos-da-cara
ele ve com os da alma
e senti de várias formas:
é o cheiro do mato molhado
é do pão da padaria
é ouvindo o som das coisas
pássaros, buzinas e os latidos do chato-cão da vizinha

Rubião percebeu
que podia, afinal,
ver mais que os outros, e isso o alegrou.
Na escola, voltou a ser aquele garoto cheio de chistes, um brincalhão.
Certo dia, eis que aparece Rubía,
que como ele não via,
ou melhor,
via o mundo de outro jeito:
um mundo cheio de cheiros
de sons e sentidos
é o mundo que se vê pelos ouvidos
que se vê pelos olhos da imaginação
pela letra que se ouve da canção.

Rubião na mesma aula
por ela encantado
pergunta meio acanhado
com sorriso de dentista:
- Rubía, você acredita em amor à primeira vista?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

UMA TARDE EM ATLANTIDA

ERA SÓ MAIS UMA TARDE NAQUELE LUGAR ONDE TUDO PARECIA FUNCIONAR.TRANSEUNTES SEM PRESSA, RUAS LIMPAS, CHIQUES RESTAURANTES, CASAS SUNTUOSAS, CARROS NOVOS, HOMENS, MULHERES E CRIANÇAS SORRINDO EM DEMASIA. ATÉ OS CACHORROS OSTENTAVAM UMA TAL ALEGRIA.
JA FINDAVA O DIA, O CREPUSCULO VINHA CRESCENDO, E EU, SEM A MENOR PRETENSÃO DE IR EMBORA, ME PUS A CAMINHAR. ERA SEM DUVIDA UM DIA FELIZ!
EIS QUE PARA MEU ESPANTO, APÓS UNS TRINTA MINUTOS DE CAMINHADA E DEVANEIOS, VEJO UM VELHO MENDIGO, EM UMA VIELA ESCURA(ATÉ ENTÃO NÃO VIRA, NEM NOTARA SINAL ALGUM DE MISERIA. NAQUELA CIDADE SÓ VIA FELICIDADE).
FUI LOGO AO ENCONTRO DO VELHO, QUE SOB FARRAPOS SE CAMUFLAVA JUNTO AO LIXO,NUMA ESCADA . SUSTENTAVA A CABEÇA NAS MÃOS ROBUSTAS DE UNHAS IMUNDAS. SEU CHEIRO ERA PERCEBIDO À METROS,ERA SEM DUVIDA O MAIS PURO SINONIMO DE CARNIÇA.
ELE ME NOTOU, FICOU INQUIETO, AO PASSO QUE ME APROXIMAVA , ELE SE AMEDRONTAVA, COMO QUE PRESA ACUADA. SÓ NÃO CORREU PORQUE NÃO PODIA. ERA MANCO, AO SEU LADO JAZIA UMA BENGALA DE MADEIRA NOBRE, EM SEU CABO ENTALHADO ADORNOS DE PRATA. TUDO ME LEVAVA A CRER QUE ERA ROUBADA.OBJETO DE VALOR AO SEU LADO, FORA ESSE NÃO HAVIA.
QUANDO FIQUEI FRENTE A FRENTE DAQUELA SINISTRA FIGURA E, ELA DISSE:
- NAO ME ENTREGUE AOS AGENTES! SOU APENAS UM POBRE VELHO EXCLUIDO PELA SOCIEDADE E MINHA FAMILIA.
ATÉ ENTÃO NÃO ME ATENTARA PARA O DETALHE DE QUE ESTE VELHO MENDIGO , ERA A PRIMEIRA PESSOA IDOSA QUE TINHA VISTO EM TAL CIDADE.
OFERECI UM CIGARRO AMIGAVELMENTE, E SENTEI-ME AO SEU LADO.
AOS POUCOS , DEMORADAMENTE , GANHEI SUA CONFIANÇA E COMEÇAMOS A CONVERSAR . E EU , QUIS SABER O MOTIVO DE TAMANHA MISERIA.FATO ESTE,QUASE SURREAL NUM LUGAR ONDE NÃO SE VIA VESTIGIOS DE POBREZA, AO MENOS DE DIA.
ELE ME DISSE QUE HA ANOS OS GOVERNANTES ADOTARAM UMA POLITICA DE SEGREGAÇÃO. POIS ACREDITAVAM QUE OS VELHOS ERAM UM ENORME GASTO AOS COFRES PUBLICOS. DESDE 201..., OS IDOSOS ERAM ENVIADOS A UMA CASA DE REPOUSO CHAMADA, "SONHO ETERNO".
NUM PRIMEIRO MOMENTO AS PESSOAS ACREDITAVAM QUE ESTAVAM ENVIANDO SEUS PAIS E AVÓS PARA ESTE QUE SERIA DEPOIS MELHOR RELATADO PELO PROPRIO VELHO COMO UM CAMPO DE CONCENTRAÇAO.
APOS BREVE NARRATIVA FIQUEI ATERRORIZADO COM O QUE O VELHO ME CONTARA. ABSURDOS, ABUSOS E DEPRAVASSÕES DIGNOS DE AUSCHWITZ.
SEU RELATO SE DEU DA SEGUINTE FORMA:
- JOVEM, OU MELHOR DIZENDO, AMIGO. SE É QUE POSSO LHE CHAMAR ASSIM!
MEU NOME É JEAN VALD"JEAN. SAIBA QUE TU ÉS A FIGURA MAIS PROXIMA DE UM PARA
MIM. HA ANOS NÃO PROFIRO TAL PALAVRA,AMIGO!
E PAROU FEITO ESTATUA POR INSTANTES...
- VOCE É A UNICA PESSOA COM QUEM CONVERSO. HÁ TEMPOS QUE NÃO ANDO DE DIA.
DESDE DE QUE FUI EXILADO DA GRANDE CIDADE, VIVO A ME ESCONDER FEITO FUGITIVO
JA PERCEBI SEU INTERESSE ACERCA DE MINHA HISTORIA, DESDE QUE ME OFERECEU
CIGARROS E SENTOU-SE AO MEU LADO,A PRINCIPIO, ACHEI QUE TINHA SIDO DESCOBERTO.
GRAÇAS À DEUS ME ENGANEI.
LOGO VI QUE SE TRATAVA DE UM FORASTEIRO.
É TERMINANTEMENTE PROIBIDO IDOSOS NESTA PARTE DA CIDADE, AINDA MAIS UM
"MALTRAPILHO" COMO EU.
SEI QUAL A PEGUNTA QUE MARTELA SUA CABEÇA NESTE EXATO MOMENTO.
E IREI RESPONDER CONTANDO MINHA HUMILDE DESVENTURA. ISTO É, SE DISPOR
DE ALGUM TEMPO.
EU BEM CURIOSO PARA SABER O MOTIVO DE TAMANHA DESGRAÇA,
TAMANHO DESCAMINHO, FIQUEI AINDA MAIS ATENTO ÀS PALAVRAS DAQUELE CURIOSO
PERSONAGEM , E ACENEI COM UM SORRISO COMO QUE PEDINDO QUE
PROSSEGUISSE, ENTÃO COMEÇOU JEAN SUA NARRATIVA
- ERA EU UM PROFESSOR DE LITERATURA, POETA E ARTISTA, TIVE BOA FAMILIA,
VIVI COM FARTURA TODA MINHA MOCIDADE, LI DOSTOIEVSK, TOSTOI, JORGE AMADO,
DRUMMOND, OUVI BONS DISCOS DE CHICO, CAETANO, GIL, VESTIA BONS TERNOS,
EM SUA MAIORIA ITALIANOS.
NUMA PALAVRA, UM HOMEM DE SORTE E DE SUCESSO MERECIDO, JULGO EU!
POIS, APESAR DE GOZAR O BOM DA VIDA, SEMPRE SOUBE A IMPORTANCIA DO TRABALHO
E DA COMPAIXÃO PARA COM O PROXIMO. NUNCA FUI UM AVARENTO!
SEMPRE FUI APAIXONADO POR HISTORIAS E ROMANCES. NEM IMAGINAVA QUE MINHA
VIDA SE TORNARIA UMA TRAGEDIA SHEAKESPERIANA. AMARGA VERDADE!
HA MUITO QUE NÃO VEJO SEQUER MEUS FILHOS, NEM ME LEMBRO DO SORRISO DE
MEUS NETOS.
DESDE A ULTIMA GRANDE REFORMA, ACORRIDA HA UNS 10 ANOS, TODOS OS IDOSOS
FORAM ENVIADOS, COM O CONCENTIMENTO DE SEUS FAMILIARES, A UMA CASA DE
REPOUSO CHAMADA "SONHO ETERNO". LUGAR QUE O GOVERNO CRIOU PARA QUE FOSSE
MORADA DA SABEDORIA, ONDE A TRADIÇÃO E A HISTORIA SERIAM RESGUARDADAS.
A PRINCIPIO PARECIA-NOS UM LUGAR DE VERA AGRADAVEL.
PODERIAMOS PASSAR AS TARDES DISCUTINDO ASSUNTOS DE NOSSO INTERESSE
COMO POESIA, POLITICA, RELIGIAO , ESPORTES, ETC. NUMA PALAVRA, DE TUDO QUE
NÃO FALAM OS JOVENS.DIZIAM-NOS QUE LÁ HAVERIA TUDO QUE NOS FOSSE NECESSARIO
PARA MORRER COM DIGNIDADE E PAZ. DIZIAM QUE MORRERIAMOS COM AMOR E CARINHO.
EU SEM PISCAR PRESTAVA A MAIOR ATENÇAO NAQUELE TRISTE SENHOR, DE SEMBLANTE
SERENO, DE OLHOS AZUIS E DE PELE CONSUMIDA PELO TEMPO, DE FALAR TÃO
SÁBIO E ROUCO QUE PARECIA A VOZ DA PRÓPRIA CONSCIENCIA, ENTÃO ELE CONTINUOU.
- ENTRETANTO APÓS ALGUNS MESES EM TAL ABRIGO COMEÇARAM A NOS ABANDONAR A
PROPRIA SORTE. À DERIVA NUM OCEANO DE IMENSO NADA.
JA NÃO HAVIA MÉDICOS , NEM COMIDA, NÃO HAVIA VISITAS. NUMA PALAVRA,
FOMOS JOGADOS AO BAU DO ESQUECIMENTO.
EM POUCO TEMPO ESTAVAMOS LUTANDO E NOS MATANDO POR RESTOS DE ALIMENTO,
COMO ANIMAIS.
ALIAS, COMO PÔDE PERCEBER ATÉ OS CÃES DA CIDADE VIVEM EM MELHORES CONDIÇÕES.
IMAGINE A CENA EM " ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA", SÓ QUE PIOR, POIS ENXERGAMOS!
NÃO VOU ME ATER AOS DETALHES PARA NÃO LHE TOMAR MAIS TEMPO, DAKI A ALGUNS
MINUTOS É HORA DA RONDA DOS AGENTES DE SEGURANÇA E BEM ESTAR.
MAS SAIBA QUE ESTE LUGAR É UM ESPURIO, TUDO O QUE VÊ É TÃO VERDADEIRO
QUANTO O QUE ENXERGA, DE DIA LHE É PINTADO UM GRANDE QUADRO IMPRESSIONISTA
E A NOITE VOLTAMOS AO TEMPO DAS TREVAS. NÃO SE ENGANE CARO AMIGO
RETIRA-TE DAQUI E ESQUEÇA ESTE LUGAR.
JÁ NÃO ME É SEGURO PERMANECER AQUI! DEUS GUIE TEUS PASSOS CARO AMIGO
AQUELA PROSA COM JEAN ME FIZERA CRESCER UM ESTRANHAMENTO.
NÃO PODIA CONCEBER O FATO DA EXISTENCIA DE TAL LUGAR CONSTRASTANDO
COM TODA AQUELA MENTIRA DIURNA. JÁ IA DANDO AS COSTAS ELE, QUANDO PEDI PARA
QUE CONTINUASSE, QUE NAQUELA NOITE LHE DARIA ABRIGO, ELE NEGOU. INSISTI ENTÃO
PARA QUE ME LEVASSE A ESTE INFERNO NA TERRA, ELE RETORQUIU DIZENDO QUE TODO
DIA NAQUELE HORARIO ESTARIA ESCONDIDO NAQUELA VIELA, MAS REITEROU QUE NÃO
VOLTARIA ÀQUELE LUGAR EM VIDA. SE EU QUISESSE ME CONTARIA O
RESTO DE SUA HISTORIA, ISSO SE EU PROMETESSE IR EMBORA DA GRANDE CIDADE. EU DISSE
QUE NO PROXIMO DIA ESTARIA LÁ SEM FALTA.
JEAN ME SORRIU COM TERNURA ME DISSE ATÉ BREVE,
E SE PÔS A CAMINHAR NO MEIO DAS SOMBRAS COMO FOSSE SEU PRÓPRIO FILHO.
NAQUELA NOITE FIQUEI ACORDADO NO HOTEL ATÉ A MADRUGADA MAIS PROFUNDA
JA IA RAIANDO O sol QUANDO PEGUEI NO SONO.
QUANDO ja era DIA, MAL TINHA EU DURMIDO, ACORDEI AFLITO. AINDA COM O PENSAMENTO EM JEAN.
TOMEI UM CAFÉ APRESSADO E QUIS LOGO SAIR à RUA, MEU INTUITO ERA DESCOBRIR ALGO ESTRANHO NA GRANDE CIDADE. NUMA PALAVRA, FUI PROCURAR A MISERIA ESCONDIDA EM PLENO DIA .
ANDEI DURANTE HORAS, POR AQUELAS RUAS FEITO ZUMBI, FEITO CIGANO. NADA ME
TIRAVA DO PENSAMENTO AQUELA MACABRA HISTORIA, PENSEI:
SERÁ QUE O VELHO JEAN ESTÁ ALUCINADO POR ANOS DE SOLIDÃO E MENDIGAGEM?
TENTEI ACREDITAR NESSA POSSIBILIDADE. EM VÃO.
OS DETALHES DAQUELE CAUSO PARECIAM-ME TÃO VEROSSÍMEIS QUE CONSEGUIA FACILMENTE VISUALIZAR TODO
O CENARIO. DE TÃO REALISTA QUE ERA TAL NARRATIVA , CAUSARIA SURPRESA AO PROPRIO MESTRE MACHADO.
ESPEREI IMPACIENTE, DESEJAVA QUE CADA SEGUNDO, CADA MINUTO DESTE DIA PASSASSE O MAIS RAPIDO POSSIVEL, SÓ PARA PODER ENCONTRAR AQUELA SINGULAR FIGURA QUE TANTO ME INTRIGARA NA NOITE PASSADA.
O DIA PASSOU ARRASTADO E AS UNICAS COISAS QUE VI DURANTE ELE FORAM FAMILIAS
FELIZES, CÃES DE RABO ABANANDO, PESSOAS SORRINDO, PRAÇAS CHEIAS. TUDO NUMA APARENTE NORMALIDADE, O PRÓPRIO IDEAL DE SOCIEDADE ESTAMPADO POR TODA GRANDE CIDADE.
NÃO HAVIA INDICIOS DE NADA DO QUE JEAN ME CONTARA. MESMO ASSIM NÃO ME CONVENCI DAQUELA PAZ ABSOLUTA. ME IRRITAVA TAL IDEIA.
CHEGA NOITE A PASSOS LARGOS. FUI AFOITO À MESMA VIELA FÉTIDA ONDE ENCONTREI O VELHO JEAN NA NOITE PASSADA.
COM MUITO CUSTO CONSEGUI ENXERGA-LO, ESTAVA IMOVEL DO MESMO JEITO QUE DANTES, AGAIXADO NA ESCADARIA ENVOLTO ÀS SOMBRAS. ELE, SEUS TRAPOS E SUA BENGALA.
ME ACENOU DISCRETAMENTE E EU ME PUS EM SUA DIREÇÃO. LÁ NOS COMPRIMENTAMOS LIGEIRAMENTE E FOMOS CAMINHAR A UM LUGAR QUE EU NÃO SEI ONDE.
ELE ME GUIAVA POR ENTRE A VIELA, ENTÃO CHEGAMOS A UM LUGAR ONDE NÃO SE VIA ALMA VIVA. APENAS NÓS.
ERA UMA ESPECIE DE PRAÇA, TINHA UNS BANCOS QUEBRADOS, UM CORETO AO CENTRO E MUITAS ARVORES AO REDOR, FORMANDO UM GRANDE BOSQUE, COMO QUE ESQUECIDO PELOS HOMENS E PELO TEMPO.
LÁ SENTAMOS AO PÉ DE UMA ARVORE ROBUSTA, QUASE NOS TAMPAVA POR COMPLETO E
SOB A LUZ DA LUA NOVA BRADOU:
- CARO AMIGO!
DISSE ELE COM MAIS SEGURANÇA DO QUE A PRIMEIRA VEZ.
- ME DESCULPE POR SAIR TÃO APRESSADO ONTEM.
FUI DIRETAMENTE AO PONTO E PEDI PARA QUE JEAN CONTASSE O QUE HAVIA OCORRIDO
ELE SORRIU E DISSE:
- QUANTOS IGUAIS A MIM NÃO EXISTEM EM TUA TERRA ? JÁ NÃO SE LEMBRAM AONDE VÃO, NEM SABEM O QUANTO SOFREM NEM MESMO SE LEMBRAM QUEM SÃO, MUITOS FICAM LOUCOS OUTROS SE MATAM AOS POUCOS . VITIMAS DE UMA DOENÇA DEGENERATIVA, O ABANDONO E A MISÉRIA
- POSSO LHE PEDIR UM FAVOR AMIGO?
E EU PRONTAMENTE LHE DISSE SIM.
- É NOITE DE LUA NOVA E O MELHOR LUGAR DO MUNDO É AQUI E AGORA.
O PRESENTE É UM SONHO QUE NUNCA CABE NA MÃO.
NÃO QUERO LEMBRAR DO PASSADO , NEM VISLUMBRAR O FUTURO. AO MENOS POR HOJE
QUERO APENAS EM TUA COMPANIA OBSERVA-LA LINDA NUA PALIDA... LUA BONITA!
EU SEM ENTENDER , FIZ A VONTADE DO MEU VELHO AMIGO E ME FIZ EM SILENCIO
O RESTO DA NOITE.





[CONTINUA]

sábado, 5 de fevereiro de 2011

meretriz II

O cheiro de perfume barato empestava o ar, era como aroma dum lar profano. Naquele lugar estavam elas, reunidas aos cantos, sorrindo todas, uma eterna tristeza. Dissimulando, amando por instantes corações errantes, homens sedentos pelo calor do corpo e sua volúpia.
Entre rudes e solícitos, bêbados e vadios. Lá estava eu, era a segunda vez que meu oficio obrigava-me a visitar tão desagradável lugar.
Foi-me pedido que levasse um tanto de poesia àquele cabaré. Qualquer homem no meu lugar diria que estava diante do jardim das delicias, ou mesmo o próprio palácio de Baco. A mim era como fosse o próprio limbo, difícil acreditar que os olhos do arquiteto zelavam por tal recinto. Aquele lugar fétido e decadente não era digno de seus cuidados (julgava eu).
Mas as almas que estavam ali certamente sim!Entre todas uma chamou-me atenção. Chamavam-na de Luzia, talvez um codinome. O olhar longínquo denunciava que sua alma não estava lá, só seu corpo que jazia numa poltrona de coriço bege cheia de furos de cigarros e algumas manchas de vinho, trajava o mínimo do que chamamos de roupa. Estava aos risos (falsos), rodeada de nobres e gentis cavalheiros, todos em busca de uma noite de prazeres infinitos a qualquer custo, ou preço.
Luzia tinha uma beleza fria, sem brilho, sem graça, mesmo assim era a mais bonita das cabrochas daquela ala. Todas as mãos lhe tocavam, lhe acariciavam, ela parecia não sentir, parecia até gostar. Mas só parecia. Atrevo-me a dizer que fazia birra com Deus, como se tivesse trocando de mal com a vida, como que maldizendo o destino por lhe traçar tão miserável caminho. Zombava do próprio fardo. Pobre libertina!
Cheguei próximo deles, não fui notado, nem por ela e nem pelos demais que ali estavam talvez, estivessem tão ébrios que o mais indiscreto não arrancaria um olhar sequer, de tão compenetrados que estavam diante da moça.
Luzia estava longe, era uma canoa à deriva em pleno pacifico, seus olhos estavam vermelhos, eram vidas secas, há tempos que não chorava.
E ela que tem nome de santa, num momento de súbita sobriedade notou minha presença. Ali fiquei, a noite passou, flertamos num segundo. Fecharam-se as cortinas, ao fim do espetáculo já não havia vagabundos nem vadios. Apenas eu e a meretriz.
Quebrado o silencio, ela cheia de vergonha e repulsa de si mesma, desabafou.
Disse-me poucas palavras, como um poema mal acabado, por vezes até sem sentido, embora cheias de sinceridade.
Suspirou, como que tomando coragem para dizer. E disse:
““... Nesta vida trilhei por muitos descaminhos, tive muitos desenganos. Eis o que sou, eis o que faço; engano a dor dos aflitos e a minha própria.
Não há descanso aos condenados, nem aos perdidos como eu. “Não me é permitido parar, até que eu feche os olhos...”.
E terminou sussurrando:
“”... Sou mulher do mundo, da vida. “De todos sou mulher.”

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Espelho

JA RAIAVA O DIA EO MANTO Q ENCOBRE O MUNDO SE TINHA DISSIPADO.
HAVIA UMA ESTRELA, O SOL DESPONTARA SEU PRIMEIRO AFAGO. NEM ME LEMBRO
SE DURMIA OU SE SONHAVA, SE RIA OU SE CHORAVA.DE FATO É QUE NAQUELA ALVORADA ALGO ESTRANHO ME OCORREU.
FLERTEI POR ALGUNS INSTANTES UM GRANDE E MAGRO ESPELHO. INDESEJAVEL AMIGO MEU.
COM BORDAS SIMPLES DE MADEIRA MAL LIXADA. MAS AINDA ASSIM , UM ESPELHO.
NUM PENSAMENTO FURTIVO, A SAUDADE ME ASSALTOU AS IDEIAS, COMECEI A LEMBRAR
TODOS OS AMORES QUE TIVERA, OS QUE VALERAM A PENA, TAMBEM OS QUE NÃO. TODOS
AMANHECERES QUE HAVIA VISLUMBRADO, SÓ OU ACOMPANHADO, LEMBREI DE CADA
SORRISO E CADA LAGRIMA, TUDO UM AMONTOADO GUARDADO NA GAVETA DE MINHA
INFANCIA. NUMA PALAVRA, ESTAVA EU NO PALACIO DA DOCE MELAQNCOLIA.
MAS NEM SÓ DE VENTURA SÃO FEITAS AS LEMBRNÇAS. AMARGA VERDADE!
COMECEI ENTÃO A PERCEBER UM SOM LONGINQUO. NÃO SEI AO CERTO O QUE OUVIA.
ERA UM CANTO COM UM QUê DE TRISTEZA, COM UM QUÊ DE EUFORIA, COM UM QUÊ DE NÃO SEI.
DE SUBTO ENSURDECI, TUDO ERA SILENCIO, MEGULHEI NUM MAR DE DEVANEIOS.
E A UNICA IMAGEM QUE SERRAVA MEUS OLHOS, ERA ALGO QUALQUER QUE NÃO EU. UMA IMAGEM SEM BRILHO,SEM RISO, SEM GRAÇA, NÃO ERA O POETA! NÃO ERA EU.
O TEMPO NÃO TINHA PONTEIROS, PARECIA UMA ETERNIDADE.
E AQUELE, QUE NÃO EU. MEU SEMELHANTE.TEIMAVA EM ME FITAR COM ASSOMBROSA
VIVACIDADE.
AOS POUCOS O MEDO FOI CRESCENDO , TOMANDO FORMA. ERA DIFICIL ENCARAR A MIM,
FUI OBRIGADO A DEFRONTAR MEUS FANTASMAS. TODOS ELES NUM GRANDE BAILE DE MASCARAS, E EU SEM FANTASIA. ELES SORRIAM , BULIAM, ZOMBAVAM DE MIM.
E EU RIA, NÃO POR PRAZER, MAS POR DESESPERO, DE VER O QUÃO PEQUENO SÃO OS SONHOS QUANDO NÃO SE COMPREENDE A VIDA.DESESPERO DE TER TRANCADA A ALMA EM ALGUM LUGAR QUE NÃO HAJA AMOR NEM AMIGOS. ESSA OBCESSÃO CRESCIA MAIS E MAIS, E A CADA INSTANTE QUE OLHAVA AQUELE MALDITO ESPELHO, SENTIA-ME, MAIS E MAIS SÓ.
QUERIA GRITAR MAS NÃO HAVIA VOZ. JÁ LHES DISSE QUE SOLAVA O SILENCIO?
POIS BEM CARO LEITOR, SÃO ESSES OS MOMENTOS EM QUE NÃO HÁ MAIS RAZÃO PARA DISSIMULAR.
SENTINDO TAMANHO DESASSOSSEGO NO PEITO, QUIS EU ME LIVRAR DAQUELA SOMBRA DECADENTE E CINZA.
NÃO QUERERIA SEMELHANTE CASTIGO NEM AO MAIS SEM VALIA DOS VÍS.
TOMEI PELOS BRAÇOS UM VELHO VIOLÃO QUE FORA DE MEU PAI, QUE TANTAS VEZES TOCOU ACORDES DISSONANTES, ENTRE BEMÓIS E SUSTENIDOS. QUANTA SAUDADE!
NÃO TINHA CORDAS, ESTAVA CALADO.
MAS ERA O QUE BASTAVA PARA NE TIRAR DAQUELE TRANSE (QUE EU JUGAVA INSUPORTAVEL).
DE SUBTO SEM PENSAR ESBOFETIEI O ESPELHO COM O INSTRUMENTO. CACOS AO CHÃO, OS FRAGMENTOS TILINTAVAM, COMO QUE FELIZES POR ESTAREM LIVRES DA VELHA FORMA.
O VIOLÃO NÃO, ESTE PERMANECEU SOBERANO, INTACTO.
QUERIA ME LIBERTAR TAMBEM DAQUELE INFORTUNIO QUE FORA CONHECER A OUTRA PARTE DE MIM,PERCEBI QUE NÃO PASSAVA DE FOLHA SECA EM PLENO OUTONO, VIDA SECA EM PLENO INVERNO (O REFLEXO, NÃO EU).
MANDEI A QUIZILA PRA LÁ, BOTEI OFERENDA NO MAR E BRADEI:
"SEREI REI DO MEU MUNDO AO MENOS POR UM DIA"
DO ESPELHO À ESTA ALTURA SÓ RESTAVA A MOLDURA, AINDA DE MADEIRA MAL LIXADA.
COMECEI A CANTAROLAR CARTOLA, FRASEANDO FALENAS, EXONERANDO O SILENCIO E EXORCISANDO FANTASMAS.
"...SIM, DEVE HAVER O PERDÃO PARA MIM, SE NÃO NEM SI QUAL SERÁ O MEU FIM..."
AS CORES FORAM RETOMANDO O TOM, ERA ANUNCIADO O FIM DO INVERNO DE MEU TEMPO. PENSEI: - O SOL NASCERÁ!
O DIA SE FARÁ NOVAMENTE UMA AQUARELA.
EIS QUE UM SONHO ME ACORDOU, E COMO PROMETEU O ARQUITETO, O CHORO DUROU A NOITE TODA MAS A ALEGRIA , GRATA SURPRESA, ESTA VEIO PELA MANHÃ!
QUANTO ÀS SUPERSTIÇÕES...
...PREFIRO SETE ANOS DE ENGANO À EXISTENCIA DO NÃO SER!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MEU ESPETACULO

ERA NOITE, IRMÃ DA MANHÃ QUANDO RETORNEI À CASA
DE MINHA MÃE. NAQUELA NOITE HAVIA SAIDO PARA BEBER, ME ENGANAR
NUMA PALAVRA,TENTAR ESQUECER,O QUE ? EU NÃO SEI, TORNAR
DEVANEIOS VERDADE, SONHOS REALIDADE.TALVEZ
MUITAS PESSOAS VI NESSA ANDANÇA SOTURNA, ATRIZES LOUCAS,
CANTORES ROUCOS,PSEUDO-POETAS, 2 PALHAÇAS LINDAS. UM POUCO
DE TUDO, DE TUDO UM POUCO.
JÁ BEM TARDE DAS HORAS CHEGUEI EM CASA DE DONA CLARA, MINHA
ETERNA MORADA, SEMPRE DE PORTAS ABERTAS.
PASSEI COM SAUDADES PELO CORREDOR, PERAMBULEI PELOS COMODOS
VAZIOS,LUZES APAGADAS.
NUM DOS QUARTOS MINHA IRMÃ, BORBOLETA FALENA, A MAIS LINDA
DAS VANESSAS DURMIA UM SONO DE DEUS.ME DEBRUCEI PARA BEIJA-LA
ELA SUSSURROU ALGO QUE NÃO ENTENDI, E SORRIU.EU DEVOLVI.
DESCI AO VELHO PORÃO, MEU LUGAR PREDILETO, LA ESCREVI BALELAS,
CHOREI HORRORES,DESENHEI AMORES,COMPUS CANÇÕES DE MUITAS CORES.
MAS NÃO ESTA NOITE.
ACENDI A LUZ, QUE JÁ POUCO ILUMINAVA. ESTAVA TUDO ARRUMADO
DO JEITO QUE NUNCA FORA. MAS MEU VIOLÃO AINDA ESTAVA LÁ,
PARCEIRO DE TODAS AS HORAS.
JAZIA A MADRUGADA, A TV LIGADA FOR DO AR DENUNCIAVA A CHEGADA
DA ALVORADA.
APAGUEI A LUZ, E ANTES DE FECHAR OS OLHOS FLERTEI COM O CÉU,
QUE ERA UM IMENSO JARDIM DE ESTRELAS,ATRAVES DE UMA JANELA,
DE FATO PEQUENA, MAS ERAM MEUS OLHOS AQUELA JANELA.
E LÁ ESTAVA ELA ,LINDA PÁLIDA LUA CHEIA.
DEU VONTADE DE CHORAR...
ATOU-SE UM GRANDE NÓ EM MINHA GARGANTA, TENTEI ENGOLIR,
EM VÃO.ENTÃO DEGUSTEI, E ASSIM PASSOU
DEITEI O CORPO MAS A ALMA JA PERDIA-SE EM ALGUM LUGAR QUE
EU NÃO SEI ONDE.
NAQUELE INSTANTE EU ERA ETERNO.
FECHARAM-SE OS VÉUS E AS CORTINAS.EIS QUE UM VELHO SONHO
ME PERGUNTOU:
- LEMBRAS-TE DE MIM? VIM PARA LEVA-LO
RESPONDI:
-É CHEGADA A HORA DA ESTRÉIA, HÁ TEMPOS QUE LHE AGUARDO.
E ASSIM SEM ADEUS NEM DESPEDIDAS SE FEZ O ESPETACULO.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

CONVERSA ENTRE AMIGOS II

- ULTIMAMENTE ANDO PENSATIVO, DEVANEANDO PELOS CANTOS. ACREDITA QUE HOJE SONHEI DE NOVO COM A GALEGA. ISSO NÃO ME AGRADA, SEMPRE QUE OCORRE MEU DIA FICA ESTRANHO, PRA NÃO DIZER UMA MERDA.
- PRIMO, O QUE É PRA SER, SERÁ. RELAXA, VÁ ATRAS DE OUTRAS SAIAS, NÃO VALE A PENA SE ABORRECER POR TÃO POUCO. A VIDA É BREVE. COMO DIZIA SHEAKESPEARE:..."NÃO IMPORTA O QUANTO SE IMPORTE, AS VEZES AS PESSOAS NÃO SE IMPORTAM ..."
SEI QUE FOI UMA BARRA , MAS É HORA DE RECOMEÇAR

(SUSPIROS)

- VOCE ESTÁ CERTO MANO, MAS DO CORAÇÃO SOMOS REFÉNS. NÃO TEMOS CONTROLE SOBRE ISSO. ALIAS, SOBRE NADA.
- QUE FIM DE TARDE ESTRANHO, NÃO? PARECE ATÉ OUTRO MUNDO. TUDO ESTÁ TÃO DIFERENTE, SEI LÁ, AS CORES , O VENTO, O SOM, ATÉ O CHEIRO.
- SIM, CONCORDO, ACHO QUE SÃO OS PRÉDIOS, HOJE EM DIA SÃO MUITOS.SE LEMBRA DO QUANTO BRINCAMOS NESTE TERRENO?TAPARAM TODA NOSSA VISÃO DA CIDADE.FILHOS DA PUTA CORTARAM ATÉ A GRANDE ARVORE. TUDO PELO VIL METAL...
- MAS QUE A TARDE ESTÁ LINDA, ISSO ESTÁ!
COM OS PREDIOS OU SEM ELES!

(RISOS...GARGALHADAS)

- POXA, TENHO QUE TRABALHAR DAQUI A POUCO, MAS ESTOU COM UMA PREGUIÇA ESTRATOSFÉRICA. E O PIOR, ROUCO.ONTEM ME ESGUELEI CANTANDO.
- É PRIMO, VIDA DE ARTISTA NÃO É FACIL.QUEM MANDOU ESCOLHER TAL CAMINHO?
AGORA SEGURA NEGÔ. MAS TU CHEGA LÁ, SABE QUE TORÇO MUITO POR TI, ONDE QUER QUE EU ESTEJA...
ALIAS , QUE HORAS SÃO? ATÉ PERDI A NOÇÃO DE TEMPO.
- SETE HORAS MANO, VAI AONDE?
- BOM SHOW PRA TU QUE VOU-ME INDO, TÔ ATRASADO PRA MISSA...

(SILENCIO)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

CONVERSA ENTRE AMIGOS I




ERA FINAL DE AGOSTO, COMEÇO DE PRIMAVERA, EU CONTAVA 29. UMA NOITE DE LUAR RADIANTE.
DE SUBTO ME ASSALTOU O PENSAMENTO, UMA VONTADE INCONTROLAVEL DE SAIR PARA BEBER ALGO, CONVERSAR COM ALGUEM SOBRE QUALQUER ASSUNTO SEM IMPORTANCIA.
SAI PELA CIDADE A PROCURA DE COMPANIA. A NOITE É MESMO O QUINTAL DO ACASO.
SENTEI EM UMA MESA DE BAR. LÁ ENCONTREI UM AMIGO DE LONGA DATA QUE ACABARA DE CHEGAR,CRESCEMOS JUNTOS, NO ENTANTO, ATUALMENTE POUCO NOS VIAMOS, OU MELHOR , POUCO FALAVAMOS. NOSSAS VIDAS HAVIAM TOMADO RUMOS OPOSTOS.
EU UM ARTISTA DE RUA, POETA SEM REMÉDIO , INIMIGO DO TÉDIO,VIAJANTE DO TEMPO ,FILHO DO VENTO. ELE, NÃO SEI AO CERTO O QUE SE TORNARA. FAZIA ANOS QUE NÃO O VIA.
HAVIAMOS DISCUTIDO E ROMPEMOS RELAÇÕES POUCO DEPOIS DE MEU ULTIMO REGRESSO. MEU RETORNO DA BAHIA.
POR ISSO, TUDO ME FAZIA CRER, QUE ESTE REENCONTRO NÃO ERA SE NÃO ,OBRA DO PRÓPRIO DEUS, COM UM UNICO PROPOSITO . O DE REUNIR DOIS AMIGOS DOS TEMPOS DE CRIANÇA.
VALE A PENA DIZER , QUE APESAR DESSA DESAVENÇA, NUNCA DEIXAMOS DE SER AMIGOS VERDADEIROS, DE QUERER BEM UM AO OUTRO. CERTAMENTE UMA GRATA SURPRESA À AMBOS.
CONVERSAMOS DURANTE HORAS...BALELAS INTERMINAVEIS, FALAMOS DE POLITICA , FAMILIA , FUTEBOL, DOS TEMPOS DA NOSSA INFANCIA E DOS AMORES DE OUTRORA.
AQUELA NOITE EM ESPECIAL EU ESTAVA VIBRANTE,ENTUSIASMADO.AINDA HOJE NÃO SEI O MOTIVO DE TAL EUFORIA.
UM DESEJO LOUCO DE VIVER INFINITAMENTE TODOS OS DIAS ARDIA DENTRO DE MEU PEITO.PARECIA ATÉ QUE EU PODIA VOAR.
DAVID POR SUA VEZ , ESTAVA PALIDO, TRISTE E MELANCOLICO. CONFESSOU-ME QUE SEMANAS ATRAS HAVIA PENSADO EM VIAJAR PARA ALGUM LUGAR BEM LONGE. SEM PREVIO AVISO.
APARENTEMENTE NÃO HAVIA RAZÃO PARA TAMANHA TRISTEZA, ERA BEM CASADO , TINHA UM BOM EMPREGO E AMIGOS QUE LHE QUERIAM BEM. O MOTIVO DE TAMANHO DESENGANO SÓ SOUBE NA MANHÃ SEGUINTE.
AO FIM DE NOSSA NOITE DE BEBEDEIRA, LHE DISSE:
- TRISTEZA É SENHORA E NÃO TEM FIM, A ALEGRIA É MENINA FACEIRA E SIM.PORTANTO QUERIDO AMIGO, NÃO PERCAMOS TEMPO, A VIDA É DEMASIADA BREVE PARA SER DISPERDIÇADA COM FALENAS E CONFLITOS.
DAVID SE FURTOU AO SILENCIO, AQUELAS PALAVRAS HAVIAM PENETRADO NO MAIS PROFUNDO DE SUA ALMA, EIS QUE UMA LAGRIMA SOLITARIA SE DESPRENDEU DE SEUS OLHOS NOSTALGICOS.FICOU CALADO POR ALGUNS INSTANTES.
EU SEM ENTENDER, RESPEITEI SEU SILENCIO.
A NOITE FINDAVA, ERA PERCISO IR EMBORA.JA NÃO HAVIA NINGUEM AO REDOR. SÓ NÓS DOIS.
AS GARRAFAS ESTAVAM VAZIAS, O CIGARRO HAVIA ACABADO, E A NOITE TOMAVA SEU RUMO EM DIREÇÃO À MANHÃ.
A ESSA ALTURA ,EU PERGUNTEI A MIM MESMO EM VOZ ALTA:
- ESSA VIDA É SEM SENTIDO,COMO SERÁ A TRAVESSIA? ISTO É,QUANDO MORREMOS??O QUE HAVERÁ DO OUTRO LADO?
ELE RESPONDEU QUASE QUE IMEDIATAMENTE:
- NADA .APAGAM-SE AS LUZES,FECHAM-SE AS CORTINAS. ALGUNS CHORARÃO, OUTROS NÃO.
EU ACORDEI NUMA MANHÃ ENSOLARADA DE DOMINGO, ENTRE CHURRASCOS E VELÓRIOS, ENTRE RISOS E LAGRIMAS.
DAVID HAVIA MORRIDO NA NOITE ANTERIOR. FORA TUDO SONHO.
MAS SUAS PALAVRAS, MESMO QUE NÃO DITAS, FICARAM EM MINHA MENTE DURANTE SEMANAS, MESES, ANOS.
AINDA ME LEMBRO COM SAUDADES DESSA CONVERSA ENTRE AMIGOS, DESSA NOITE QUE NUNCA EXISTIU.






*NOTA DO AUTOR( IN MEMORIA DE DAVID VINICIUS )

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um retrato em desconcerto







...Atônita,ela se deixou cair numa espécie de cama e mergulhou em seus devaneios por alguns instantes, segundos eram horas e horas eram séculos. Pensou no amor que se foi, na estrela que se apagou (em uma palavra na lembrança um beijo) .
Em sua face ainda havia vestigios do chôro que manchara sua maquiagem de maneira quase imperceptivel, suas unhas eram rosas tanto pela cor, quanto pelo perfume das mãos,
seu cabelo, como ondas negras charmosamente despeteado, certamente desconcertaria o mais racional dos homens, seus labios esboçaram uma frase, não se sabe ao certo, poderia ser um suspiro. O certo é que eram insanos e encantadores.
Como que tomada por um assalto, levanta-se e vai em direção à porta , que se encontrava ao centro do aposento. Uma espécie de kitnet, onde não era possivel distinguir a cozinha do quarto. Lá estava Ele, do lado de fora.À sua espera, totalmente descomposto em lágrimas.
Ao vê-la, o sorriso lhe traiu o icógnito, suas mãos tremiam como galhos de uma arvore em dias de ventania... Ela , o abraçou com ternura imensuravel, secou suas lagrimas e lhe pediu que não voltasse mais.
Foi assim que sucedeu o fim. Um adeus em silêncio num frasco de esquecimento.



vini ras

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desabafo




Por que cargas d'agua
vocÊ acha que alguem
realmente se importa
com o que voce sente?
Seus anseios, desejos...seus malditos sonhos?
A mulher da sua vida...meretriz
Ela, agora nem se quer lembra seu nome!
Nem tu mesmo lembra!
Será José?
Saido das linhas de Drummond?
me diga e seja sincero!
por que acreditar no amor?
aquele sentimento volatil e efêmero, egoista e insano...
cuja medida exata depende
de quão rico sejam seus valores...suas medidas
E depois que tudo acaba...
no fim...
Só resta a indiferença
Que patético!!
E ainda me chamam de ridiculo!
Para os quintos voces todos!
Bando de sentimentais
que vivem se lamentando
gritando as dores
amaldiçoando amores
sofrendo e chorando horrores
quase que diariamente se lamentando da vida
alimentando seus fantasmas
ao invés de suas almas
Cambada de coadjuvantes
de um cinema turco de 5° categoria
sejam Reis do seu mundo
ao menos por um dia
nada disso me apraz
E a cada dia que se vai
me desaponto mais com isso.
Preciso sumir
Ao menos por uns tempos
volto logo...
Assim que me trouxerem os bons ventos...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MANIFESTO




Há 20 anos (não estou bem certo) somos declaradamente um estado democrático e vivemos numa sociedade que se julga justa e também democrática.
Em nossa historia recente tivemos capítulos lastimáveis e outros memoráveis, principalmente na segunda metade do século passado.
Naquela época nossos pais viviam num regime ditatorial (tal qual no processo de Kafka) em que manifestações de qualquer natureza contra o sistema eram severamente retalhadas, às vezes sem precedentes nenhum.
Por outro lado, foi o período que o país mais se elevou enquanto nação, enquanto sociedade, nosso jovens eram revolucionários, nossos heróis anônimos.
Culturalmente fora a época mais criativa, em todas as esferas da arte, tal como musica teatro, literatura, etc.
Talvez tenha sido a ultima fagulha de vanguarda. O ultimo suspiro de verdadeira arte.
Passado pouco mais de meio século, o que vejo é uma sociedade hipócrita, cheia de falsos valores, retrógrada.
Não obstante um sistema que privilegia a minoria, que oferece milhões aos grandes banqueiros e mega-empresarios do centro-oeste europeu, e mata de fome milhões no sertão do nordeste da América do sul ou na África central, tanto faz aqui e lá a miséria e a fome são iguais.
Pois bem, experimente ligar o radio ou a TV, e desfrute do seu entretenimento por alguns minutos, se conseguir.
O caro leitor vai constatar que, estamos num processo de imbecilização constante e a todo instante somos entorpecidos por noticias, musicas por novelas, comerciais, que em sua grande maioria, não nos acrescenta um pensamento útil sequer.
A arte que nos é oferecida é falsa, sem valor, sem poesia.
Quantos músicos de grande talento cantam nos palcos do anonimato?
Quantos pintores não fazem alto-retratos e quadros em troca de moedas nas esquinas sujas do centro de São Paulo?
Quantos poetas não cantam o Rap nos guetos e periferias das grandes cidades?
Meu caro leitor, a pior das ditaduras é a cultural, e desta somos reféns.
Em suma quero dizer que, tudo o que é mostrado nas diversas formas de mídia é apenas o reflexo do que a grande massa deseja ouvir e ver.
Permito-me fazer um comentário com uma pitada de sadismo, comparando-os aos guinus, que apenas seguem um ao outro, seu instinto e sua fome. Sem nem saber de onde vem e para onde vão.
Enquanto formos guinus, seremos apenas uma grande massa, inconsciente, inerte, surda e muda. Imutável.
Eu prefiro ser pássaro... O exato contrario.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

triangulo II

Noutro dia
algo incomum
outra tarde de sol
desta vez tudo estava mais silencioso
O poeta quase que ausente
entregava-se aos seus devaneios
escrevia suas linhas sem brio
talvez à espera do presente
do acaso ou do destino
quem saberá?
À direita dele
onde estavam os jovens perdidos de outrora
se encontrava agora um senhor
que ostentava com orgulho
suas rugas
sua corcunda demasiada acentuada
A sua face transparecia uma aparente serenidade
Era o avanço da idade
a brutalidade do tempo
Ao seu lado um cão marrom
pela pelagem
certamente labrador
que lhe fazia compania
como um fiel escudeiro
breve instante se passou
o velho se levantou
e pôs-se à caminhar
ele e seu cachorro
sumiram bem devagar
cruzaram a esquina do quarteirão
E não voltaram mais
Abaixo
a mesma árvore
só que desta vez
A mulher cujo sorriso
furtou do poeta um poema
Aquela
cujo olhar era penetrante
interessado
E tão faceiro
que lhe lembrava Capitu
em obra de Mestre Machado
Ali já não estava Ela
Apenas folhas secas de inverno
que voavam com a valsa do vento
Isso causara ao poeta uma sensação
um estranhamento
O céu mostrava sua vastidão
O sol demorava a se pôr
Os versos
escorriam da caneta
empunhada firmemente
pela mão calejada do escritor
As horas passam sem o menor compromisso
quando se esquece os ponteiros
O vento refresca o corpo e a alma
quanto tudo é deserto
Talvez fruto do acaso
Talvez divina providência
Tudo estava perfeito
não fosse um detalhe
O perfeito não existe
A espera acaba
o poeta se levanta
e se põe ao mesmo passo do velho
à caminho de casa
Era hora de ir...








continua

triangulo

Faz sol.
Há tempos que não o vejo
no sul geralmente o céu é coberto de cinza
mas nessa tarde em especial e também um pouco cálica
os pássaros cantam diferente
formando uma divina orquestra
uma big jazz band
Há jovens perdidos do novo milênio se entorpecendo logo ao lado
Abaixo uma árvore
que abraça as costas de uma morena linda
que sentada aos seus pés
se entrega aos seus devaneios
O corpo jaz a alma ausência
Foi então que aparece Ele
se aproximando e se ajoelhando aos pés daquela mulher
Lhe fala balelas e falenas ao pé do ouvido
e consegue lhe furtar um sorriso sem graça
Talvez o começo de um recomeço
ou não
Talvez o começo do fim
Após um breve instante de silêncio
ela monolítica
enigmatica
Monalisa
Ele orgulho imponente
vira as costas e se vai
sem dizer mais
Ela enxuga as lágrimas que lhe lavaram a face
Os pássaros cantam mais alto
janelas se abrem
portas se fecham
O mundo e o tempo não param
Ao canto o poeta que tudo observa
Ela lhe nota e fica inquieta
os jovens ainda perdidos
porém satisfeitos e entorpecidos
continuam logo ao lado
Ainda de baixo da árvore
ela lhe fere outro olhar
mais penetrante
mais interessado
e o poeta imovel
casmurro
calado
Ela já mais à vontade
estíca suas pernas icógnitas por uma calça preta
e seus pés por botas também pretas
contrastando harmoniosamente com uma blusa bege que lhe cobri o busto
Assim
como em um jogo de flertes
ela lhe furta a atenção
Desta vez se atentou em ajeitar o cabelo
arregaçou as mangas da blusa e lhe mostrou os braços
O poeta olha atônito
sente-se confuso...
Não faz idéia de que ao invés de expectador
passa ser atuante desta cena
desse triangulo de amor
Seu coração por um instante palpita estranhamente
e logo volta a seu ritmo normal
e continua a observar
Mas é ela quem toma as rédias da situação
se levanta e caminha em sua direção
trocam olhares
desta vez
diretos e indiscretos
Ela chega e lhe pede um cigarro
ele lhe dá
ela se senta ao seu lado
lê seu poema
e lhe dá O sorriso
ele devolve
Entre conversas
olhares e cigarros
o sol se vai
a tarde finda
O poeta se levanta como fosse embora
obviamente contra sua vontade
Naquele instante o poeta quereria
O tempo sem ponteiros
Sorrisos de Jussara
Abraços de Dandara
Seu corpo por inteiro
Mas não...
ele se foi
Como foi-se aquele outro
O primeiro













continua...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

nem tudo que reluz é ouro

Certa vez, numa noite de domingo resolvi comer algo diferente com minha esposa. Propus irmos a uma lanchonete perto do centro da cidade. Ela concordou e logo foi se produzir, como fazem todas as mulheres. Alias, não consigo entender como podem perder trinta minutos de frente ao espelho.
Eu por outro lado me sentia à vontade trajando uma bermuda levemente deteriorada pelo tempo, uma camiseta regata e sandálias de dedo.
Passado um tempo estávamos prontos. Resolvemos ir de carro, pois de moto seria demasiadamente arriscado, afinal há muitos assaltos e acidentes pelas bandas do centro.
No trajeto fomos imaginando o quão fabuloso era o lanche que estava a nossa espera.
Ao chegarmos, a loja estava cheia, parecia que todos resolveram comer naquele momento e naquele local.
Ela então foi fazer o pedido no balcão enquanto eu aguardava do lado de fora uma vaga no estacionamento (após infinitos dez minutos consegui uma vaga).
Posteriormente adentrei a loja a procura de minha esposa, finalmente a encontrei e segui em sua direção, quando de repente um garçom com cara de desesperado me parou e perguntou se o fusca de cor azul era meu.
Para melhor entender a situação, descreverei o contexto em que ocorreu este episódio.
Havia aproximadamente setenta pessoas na lanchonete, algumas dezenas em pé e cerca de cinco indivíduos ao meu redor. O garçom atravessou a loja passando por diversas mesas repletas de casais e grupo de amigos, veio diretamente a mim e não hesitou em me perguntar, como se tivesse a certeza de que aquele veículo pertencia a mim.
Após ouvi-lo com a maior atenção, respondi: _ “Não, o meu é aquele corsa prata!”.
Ele ficou totalmente constrangido, pois estava certo de que eu era o dono do fusca azul, que àquela altura atrapalhava todo o transito no estacionamento.
Pois bem, o meu objetivo ao narrar este episódio é pontuar um aspecto relevante do signo sob uma perspectiva pierceana.
Ora, por que o garçom associou um carro velho à minha pessoa? Já que muitas outras pessoas apesar de estarem mais bem aparentadas poderiam ser o tal dono do fusca azul.
Observe que o fato de eu estar usando trajes simples, serviu de índice e remeteu o garçom a um segundo signo relacionado à questão social. O que acaba por criar um terceiro signo, isto é, o entendimento do interpretante.
Neste episódio podemos observar, mesmo que superficialmente, uma relação triádica. Em que a partir de determinado signo (um jovem aparentemente desprovido de dinheiro), o interpretante pode ter múltiplos entendimentos do objeto.
É possível ainda com base nesta historia explorar o aspecto arbitrário do signo, só que por um viés saussuriano. Porém esse será assunto para uma próxima conversa.